segunda-feira, 2 de julho de 2018

Nó Direito

Para emendar ataduras e emendar cabos com o mesmo diâmetro. 
Utilização: Unir dois cabos (não escorregadios) de mesma espessura. Não indicado para suportar peso e não se solta com facilidade, a não ser que sejam bitolas diferentes *Difícil de ser desatado 
Como faz? Famoso direita sobre esquerda (dá uma voltinha), esquerda sobre direita (dá outra voltinha).



Não entendeu? Assista o vídeo, é rapidinho =)

Nó de Pescador Duplo

Excelente nó de junção para cordas de mesmo diâmetro. Pode ser empregado também em arremates. Rompe a corda com 56% de R0, sendo o melhor deles. 

Nó de Azelha em "8"

Mais tradicional, é usado tanto em espeleologia quanto em alpinismo. Pode ser utilizado em qualquer ancoragem, ou para prender coisas na corda com segurança. Pode ser desfeito bem mais fácil que o azelha. Seu R0: 60%. Também poderá ser feito da forma induzida e deverá ser arrematado. 

Nó de Azelha Simples

Pode ser usado em ancoragem principal, mas não deve ser utilizado em ancoragem reserva. Diminui a resistência da corda em 50% - R0: 50%, além de ser difícil desfazer, quando submetido à tensão. Deve ser usado como nó amortecedor entre a ancoragem principal e a reserva. 

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Manual para subir montanhas

Paulo Coelho
A) ESCOLHA A MONTANHA QUE DESEJA subir: não se deixe levar pelos comentários de outros, dizendo “aquela é mais bonita”, ou “esta é mais fácil”. Você irá gastar muita energia e muito entusiasmo para atingir seu objetivo, portanto, é o único responsável, e deve ter certeza do que está fazendo.

B) Saiba como chegar diante dela: muitas vezes, a montanha é vista de longe - bela, interessante, cheia de desafios. Mas quando tentamos nos aproximar, o que acontece? As estradas a circundam, existem florestas entre você e seu objetivo, o que aparece claro no mapa é difícil na vida real. Portanto, tente todos os caminhos, as trilhas, até que um dia você esteja em frente ao topo que pretende atingir.

C) Aprenda com quem já caminhou por ali: por mais que você se julgue único, sempre alguém teve o mesmo sonho antes, e terminou deixando marcas que podem facilitar a caminhada; lugares onde colocar a corda, picadas, galhos quebrados para facilitar a marcha. A caminhada é sua, a responsabilidade também, mas não se esqueça de que a experiência alheia ajuda muito.

D) Os perigos, vistos de perto, são controláveis: quando você começa a subir a montanha dos seus sonhos, preste atenção ao redor. Há despenhadeiros, claro. Há fendas quase imperceptíveis. Há pedras tão polidas pelas tempestades que se tornam escorregadias como gelo. Mas se você souber onde está colocando cada pé, irá notar as armadilhas, e saberá contorná-las.

E) A paisagem muda, portanto, aproveite: claro que é preciso ter um objetivo em mente - chegar ao alto. Mas à medida que se vai subindo, mais coisas podem ser vistas, e não custa nada parar de vez em quando e desfrutar um pouco o panorama ao redor. A cada metro conquistado, você pode ver um pouco mais longe, e aproveite isso para descobrir coisas que ainda não tinha percebido.

F) Respeite seu corpo: só consegue subir uma montanha quem dá ao corpo a atenção que merece. Você tem todo o tempo que a vida lhe dá, portanto caminhe sem exigir o que não pode ser dado. Se andar depressa demais, irá ficar cansado e desistir no meio. Se andar muito devagar, a noite pode descer e você estará perdido. Aproveite a paisagem, desfrute a água fresca dos mananciais e das frutas que a natureza generosamente lhe dá, mas continue andando.

G) Respeite sua alma: não fique repetindo o tempo todo “eu vou conseguir”. Sua alma já sabe disso, o que ela precisa é usar a longa caminhada para poder crescer, estender-se pelo horizonte, atingir o céu. Uma obsessão não ajuda em nada a busca do seu objetivo, e termina por tirar o prazer da escalada. Mas atenção: tampouco fique repetindo “é mais difícil do que eu pensava”, porque isso o fará perder a força interior.

H) Prepare-se para caminhar um quilômetro a mais: o percurso até o topo da montanha é sempre maior do que o que você está pensando. Não se engane, há de chegar o momento em que o que parecia perto ainda está muito longe. Mas como você se dispôs a ir além, isso não chega a ser um problema.

I) Alegre-se quando chegar ao cume: chore, bata palmas, grite aos quatro cantos que conseguiu, deixe que o vento lá em cima (porque lá em cima está sempre ventando) purifique sua mente, refresque seus pés suados e cansados, abra seus olhos, limpe a poeira do seu coração. Que bom, o que antes era apenas um sonho, uma visão distante, agora é parte da sua vida, você conseguiu.

J) Faça uma promessa: aproveite que você descobriu uma força que nem sequer conhecia e diga para si mesmo que a partir de agora irá usá-la pelo resto de seus dias. De preferência, prometa também descobrir outra montanha, e partir para uma nova aventura.

L) Conte sua história: sim, conte sua história. Dê seu exemplo. Diga a todos que é possível e outras pessoas então sentirão coragem para enfrentar suas próprias montanhas

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Famosa carta em que o fotógrafo chileno Sergio Larraín (1931-2012) ensina ao sobrinho os segredos de sua arte:
“ A primeira coisa é ter uma maquina que vc goste, porque se trata de sentir-se bem com ela, uma câmera que seja agradável para as sua mãos, pois a ferramenta é fundamental para se fazer bem um trabalho, e que seja o mínimo indispensável e nada mais. Em segundo lugar, tenha uma impressora ao seu gosto, a mais bacana e simples possível. Depois é partir para a aventura, como um veleiro, soltar as velas, todos os dias vá para um lugar e outro, caminhe pelas ruas, vagueie e vagueie por lugares desconhecidos, quando estiver cansado sente-se à sombra de uma árvore, coma uma fruta ou pão, tome um trem, vá para onde lhe der na cabeça, e olhe, observe, desenhe também.
Saia do mundo conhecido, entre naquele que nunca viu, deixe-se levar pelo gosto, vá muito de um lugar ao outro, aonde lhe der na teia. Aos poucos vc vai encontrando as coisas, e vão te chegando imagens, como aparições, fotografe-as. De volta para casa, revele (edite), faça copias, observe o que você pescou, todos os peixes, pendure com fita adesiva na parede, imprima em tamanho de cartão postal e olhe para elas.
Depois, comece a brincar de recortar (cropar), experimente cortes e enquadramentos, vá aprendendo composição, geometria, reenquadre com perfeição e imprima o que vc reenquadrou, coloque novamente e deixe na parede. Vai olhando e observando. Quando tiver certeza de que uma foto é ruim, mande imediatamente para a lata do lixo. A foto que for boa coloque em um lugar mais alto na parede, e no final, guarde somente as boas, nada mais (guardar o medíocre faz você estancar no medíocre). Fique apenas o que for bom, o que é “top”, jogue o resto fora, porque a gente carrega na mente tudo o que conserva. Depois faça ginástica, distraia-se com outras coisas e não se preocupe mais.
Comece a olhar o trabalho de outros fotógrafos, procure tudo o que é bom em livros, revistas, etc… Guarde o melhor, se puder recortar recorte, e vá colando na parede ao lado de seu trabalho. Se não puder recortar, deixe o livro ou revista aberto na página com a foto boa, em exposição. Deixe por semanas, meses, enquanto aquela foto for significativa para vc, a gente demora muito para enxergar, mas pouco a pouco, o segredo vai se revelando, e você vai vendo o que é bom, a profundidade de cada coisa.
Continue vivendo sossegado, desenhe um pouco, saia para passear e nunca se force sair para fotografar, para não perder a poesia, a vida que existe nisso adoece, é como forçar o amor ou a amizade, não se pode. Quando estiver bem, faça outra viagem, saia para passear, vaguear. Vai para a beira de um rio, andar cavalo, ou até o alto das montanhas. Alguns lugares são sempre maravilhosos, perca-se na magia, passe alguns dias dando voltas por morros e ruas, quando chegar a noite, durma em algum lugar, em num saco de dormir, envolva-se com aquela realidade, concentrado, nada convencional te distrai. Deixe-se levar por passos lentos, devagarzinho, como se encontrasse a cura no prazer de observar, cantarolando, e o que for aparecendo vai fotografando, agora com mais cuidado, você já aprendeu a compor e enquadrar, já faz isso com a própria câmera, e assim continue, enchendo o saco de peixes e volte para casa.
Aprenda sobre foco, diafragma, primeiro plano, saturação, velocidades e etc…, aprenda a jogar com as possibilidades de sua câmera, e junte a isso poesia (a sua e a dos outros), pegue tudo o que encontrar de bom dos outros e faça uma coleção de coisas ótimas, um resumo em uma pasta. Siga aquilo que é o seu gosto e mais nada, acredite apenas no seu gosto. Você é a vida, e a vida é aquilo que você escolhe. O que não te agrada, não se importe, não lhe serve. Você é o único critério, mas veja as coisas de todo mundo.
Vá aprendendo, e quando tiver algumas fotos realmente boas, amplie e faça uma pequena exposição, ou um pequeno livro e mande encadernar, e assim vá estabelecendo uma noção, ao mostrá-las você se dá conta do que são, ao vê-las diante dos demais, é aí que você as sente. Fazer uma exposição é dar algo, como dar de comer, é bom para os demais mostrar-lhes algo que foi feito com trabalho e gosto. Não é se exibir, é que faz bem e é saudável para todos, e para você é bom, porque vai te testando.
Bom, com isso tem com o que começar, é muita vagabundagem, ficar sentado debaixo de uma árvore, num lugar qualquer. É um andar sozinho pelo universo. Um novo jeito de olhar, o mundo convencional coloca um muro diante de você. É preciso sair de trás dele durante o período de fotografar.
Tchau.
Depois te escrevo mais. Encontrar o que a gente ama de verdade é a chave de tudo.
Se encontrar alguém com quem vagabundear, que goste disso tanto como você, não hesite, é bom também.”
“INSTANTES”
Se eu pudesse novamente viver a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito,
relaxaria mais, seria mais tolo do que tenho sido.
Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico. Correria mais riscos,
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvetes e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata
e profundamente cada minuto de sua vida;
claro que tive momentos de alegria.
Mas se eu pudesse voltar a viver trataria somente
de ter bons momentos.
Porque se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos;
não percam o agora.
Eu era um daqueles que nunca ia
a parte alguma sem um termômetro,
uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas e,
se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no começo da primavera
e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas já viram, tenho oitenta e cinco anos e sei que estou morrendo”.
Nadine Stair – dedicado a Jorge Luis Borges.